País Laico?
A polêmica da hora é o caso do juiz que inventou de querer tirar os crucifixos das salas de audiência. Ele justificou-se dizendo o óbvio: vivemos num país laico (ou seja, sem religião oficial), portanto, não se pode privilegiar o símbolo de uma religião em detrimento de outras.
Indignados, os católicos saíram em defesa da permanência dos crucifixos e demais menções à religião cristã, não só nas dependências do judiciário como também em quaisquer outros locais públicos, escolas, e até nas inscrições que constam nas notas de moeda corrente. Eles alegam que, embora seja o Brasil um país que não estabelece uma religião oficial, a maioria dos brasileiros é cristã, segundo o último senso do IBGE.
A mais inflamada defesa do uso do símbolo do cristianismo nos espaços públicos acrescenta, ainda, que seria um atentado à democracia retirá-lo, baseando-se justamente no fato de o Brasil ser um país de maioria católica. Engraçado os católicos se lembrarem de que são maioria, pois são justamente as minorias que governam o País: os mais ricos, os que tiveram mais acesso ao estudo, a meia dúzia que é proprietária de quase toda terra agriculturável, e assim por diante... Se o Brasil fosse um país que respeitasse a vontade da maioria, não teríamos um salário mínimo como o nosso, que condena o trabalhador a viver no limite da inanição.
Pode ser que seja só uma tentativa do tal juiz de obter mais visibilidade, de ter seus minutos de fama. Mas, de qualquer forma, nos chama a atenção para a prepotência da "santa" igreja católica, que pretende sempre estar acima da lei, acima do livre arbítrio que eles próprios pregam. Todos temos o direito de ter uma religião, seja ela qual for (inclusive nenhuma). Temos direito de crer ou não em um deus ou em uma igreja, e temos o direito, também, de termos essa ideologia respeitada. Se os tribunais podem (ou devem, como querem alguns) ostentar o símbolo do cristianismo, que ao lado dele estejam também expostos a estrela dos judeus, o crescente dos muçulmanos, o preto velho dos espíritas...
